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Livros demais?

23.02.14

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Ora, já sou casado vai fazer para sete anos, mas também tenho uma namorada. Acontece que é a mesma pessoa, o que ajuda muito à paz matrimonial. Ora, a minha namorada sabe o que eu gosto, e por isso ofereceu-me estas duas prendas, durante o romântico jantar de São Valentim (romântico no sentido de termos o filho sentado ao lado a bater com os talheres e a rir-se...).

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publicado às 10:45

Pensei seriamente em escrever uma série de posts, durante o fim-de-semana, para deixar o blog vivo durante a semana, para me concentrar noutras coisas, como o trabalho e isso... Ora, cheguei à conclusão que não consigo. Pelo menos para já, isto tem de ser mais imediato. Vou ter de me concentrar em tudo ao mesmo tempo, mas pronto, não virá mal ao mundo.

 

Entretanto, gostava de vos dizer que hoje tive uma grande prenda, na forma de 16-dezasseis-16 livros que o meu avô materno me trouxe da antiga loja onde trabalhou e que já fechou há muito tempo. Porquê? A dona da loja lembrava-se de mim e do meu amor pelos livros (há não me vê há uns bons 20 anos) e, como está a "despejar" essa velha loja, mandou-me uma das colecções que tinha por lá.

 

Ainda não vi bem o que é, mas cá está um pequeno flash... Uma colecção antiga de romances históricos. Não é a minha praia, mas nisto dos livros gosto de experimentar umas praias novas de vez em quando e livros velhos são sempre engraçados.

 

 

Hei-de voltar à tal loja do meu avô. Era uma daquelas lojas onde se vendia tudo, com um mobiliário antigo que parece um cenário dum filme de época, com uma campainha à porta, gatos no pátio traseiro, uma série de instrumentos de medida de que não sei o nome, onde chegou a haver uma estação de correios, o telefone da terra — era, enfim, o centro da vila, cujo nome ainda não me apetece dizer. Aliás, à frente da loja temos o pelourinho, ao lado direito a igreja e ao fundo a estrada principal. Só falta o café central, mas a loja do meu avô seria, na época, o café central.

 

Passei lá muitas horas da minha infância mais remota — tal como passei também na mercearia da minha avó paterna e na papelaria que o meu avô materno abriu depois do fecho dessa loja central. Hei-de voltar a tudo isto, porque há muitas histórias que me apetece contar...

 

O edifício dessa loja é lindo, com aqueles azulejos rectangulares verdes e uns desenhos muito bonitos no friso e umas águas furtadas. O edifício está mesmo a pedir ser transformado num hostel — e não sei se não será isso que vai acontecer...

 

Seja como for, hoje ganhei uma colecção — e isso merece um post, claro está!

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Hoje estamos numa de falar da Amazon...

 

Depois de alguns anos em que a Amazon era uma loja exclusivamente americana, os europeus lá receberam a Amazon.co.uk, que muito veio ajudar quem gosta de livros (e não só...) e não está perto de livrarias (e outras lojas). 

 

Hoje, é possível fazer encomendas da Amazon sem pagar um tostão de portes de envio. Ora, no meu caso, os portes gratuitos começaram mais cedo... Não só os portes, como os próprios livros.

 

Ainda estávamos no velhinho século XX, quando fiz a minha primeira encomenda. 

 

Tudo começou quando recebi um cheque-oferta da Amazon. Ainda poucos conheciam esta loja e devo ter recebido tal generosa oferta por ser assinante da Time. Não me lembro bem, mas recebi mesmo um cheque-oferta de $10. 

 

Ora, eu, do alto dos meus parcos 19 anos, não tinha cartão de crédito e muito menos dinheiro para gastar em muitos livros. Não me apetecia arriscar o cartão do meu pai, nessa altura em que a Internet ainda era coisa misteriosa — e, para um pai de 1999, ver um filho comprar coisas na Internet era quase tão suspeito como ver um filho ir a Marrocos comprar seja o que for.

 

Portanto, não tive opção: andei a vasculhar o site da Amazon (na altura ainda era possível vasculhar o site; hoje teríamos de ter umas dezenas de vidas para conseguir vasculhar uma secção do site...) e encontrei um livro que ficava a menos de 10 dólares, incluindo os portes para Portugal.

 

Fui lá ver o resumo da encomenda, estes anos todos depois, e ainda lá está:

 

 

(Acho fofinho da parte da Amazon deixar-me devolver o livro 15 anos depois...)

 

Fiz a encomenda, desconfiado. Sinceramente, duvidava que me enviassem o livro. Pensava ir receber uma mensagem a dizer: "Lamentamos, mas só pode aplicar o cheque-oferta a encomendas superiores a 125 dólares." — isto, mas em americano, claro.

 

Lá recebi o livro, muitos dias depois, e fiquei maravilhado. Um livro oferecido por uma misteriosa loja dos E.U.A.!

 

Li os poemas (o livro incluia mais do que o poema do título), numa edição pequenina mas muito bonita, com um papel a que não estava habitual. 

 

Naquele momento, senti-me como se tivesse sido transportado para os E.U.A. e estivesse a folhear um livro numa rua de Nova Iorque. O que a imaginação adolescente dum geek dos livros faz...

 

Se aprendi que Abril é o mês mais cruel, também percebi que Setembro era o mês de receber livros como prenda (o que tem lógica, pois faço anos em Setembro). Boa tradição, esta!

 

Curiosamente, poucas semanas depois, andava eu com o livro na mochila que levava para a faculdade, quando uma professora nos fala de T.S. Elliot e The Waste Land, dizendo que, obviamente, nenhum de nós saberia quem era tal pessoa nem que livro era esse. Sorri e tirei o livro da mochila. A professora embatucou.

 

Quase que lhe disse "a culpa não é minha...", mas deixei-me ficar calado.

 

E, pronto, fiquem com o início de The Waste Land:

 

I. THE BURIAL OF THE DEAD

APRIL is the cruellest month, breeding
 
Lilacs out of the dead land, mixing  
Memory and desire, stirring  
Dull roots with spring rain.  
Winter kept us warm, covering          
Earth in forgetful snow, feeding  
A little life with dried tubers.  
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee  
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,  
And went on in sunlight, into the Hofgarten,   
And drank coffee, and talked for an hour.  
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.  
And when we were children, staying at the archduke’s,  
My cousin’s, he took me out on a sled,  
And I was frightened. He said, Marie,  
Marie, hold on tight. And down we went.  
In the mountains, there you feel free.  
I read, much of the night, and go south in the winter.

 

 

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publicado às 16:48


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