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Encontro este comentário numa qualquer notícia sobre o acidente nos Alpes:

Para quando verdadeiras medidas de segurança para quem viaja de avião, inventam de tudo para prevenir as quedas, nuns é porque o piloto automatico nao funcionou, noutros é porque funcionou, noutros é erro humano ou defeito de fabrico, mas e que medidas existem para quando se está a cair? Não seriam preferiveis viagens mais demoradas e mais caras mas mais seguras? Este vicio que as pessoas têm de tentar fazer tudo com o minimo tem consequencias, mesmo tratando-se do meio de transporte mais seguro não podemos esquecer que normalmente em caso de acidente nao existe escapatória.

 

O mínimo? Quem quer que tenha escrito o comentário acha mesmo que a aviação faz o mínimo para evitar acidentes. Além disso, ao contrário do que se pensa, são raros os acidentes em que todos os passageiros morrem. Sim, aparecem nas notícias: mas aparecem exactamente por serem extraordinariamente raros.

 

Sei que custa ouvir isto num dia como estes — e custaria ainda mais a qualquer familiar das vítimas — mas a verdade é esta: os acidentes de aviação são raríssimos. Por dia, há larguíssimos milhares de voos em todo o mundo. Que aconteçam meia dúzia de acidentes por ano é praticamente inevitável, por mais segurança que se imponha.

 

E, na verdade, a segurança é imensa. Tudo é verificado vezes sem conta. As medidas de segurança têm melhorado ao longo de décadas, tanto que, hoje, as mortes são em muito menor número do que há umas décadas atrás, apesar de haver muitos mais aviões no ar:

AVIATION ACCIDENTES.png

[Fonte]

 

Há uma forma de exigir a perfeição e eliminar acidentes: proibir a aviação comercial. Tirando isso, nunca chegaremos ao zero. O que não significa que não devamos tentar, mas assumindo sempre que há um risco impossível de fazer desaparecer. 

 

Afinal, até estar em casa sentado tem algum risco.

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Há uns anos, antes de viajar de avião, apeteceu-me comprar este livro. Sempre é melhor do que o outro hábito meu quando se aproxima uma viagem aérea: ver vídeos sobre voos, acidentes incluídos.

 

Há cada maluco.

 

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publicado às 10:00

Bolas, fiquei a sentir-me um bocado mal com o post anterior. Não quero que pensem que me andei a armar em chico-esperto com um senhor de 70 anos. Sim, às vezes ficava irritado com as opiniões dos meus avós, mas quem não fica? É normal. Eles também não parecem gostar por aí além de algumas opiniões "de agora". É mais do que natural.

 

O facto de ter um avô que me perguntava coisas só mostra a inteligência do avô, e diz pouco da esperteza do neto. Afinal, é melhor fazer boas perguntas do que balbuciar umas respostas mal amanhadas. 

 

E o meu avô lá ia fazendo boas perguntas: porque não caem os astronautas cá em baixo, porque não falamos todos a mesma língua, etc. e tal. O que só mostra como era inadequada a educação "de antigamente" para responder à curiosidade dos alunos — e como essa curiosidade não morre mesmo 70 anos depois. 

 

Ora, o meu avô, se faz perguntas, também conta imensas histórias. Já pensei, aliás, fazer um blog só com as histórias que o meu avô conta. Como não há tempo para tudo (nem para o que já se faz), vou aproveitando este canto dos livros para isso.

 

Uma das histórias mais deliciosas é esta (espero não estar a acrescentar muitos pontos — e espero ainda mais não estar a retirar muitas vírgulas):

 

Durante a II Guerra Mundial (sim, quando ouvimos os avós, até parece que estamos a mergulhar num filme), caíam por vezes alguns aviões americanos na costa portuguesa. Ora, numa dessas quedas, o piloto safou-se e foi resgatado pela população da freguesia do meu avô, que tem umas quantas praias. Levaram o americano, assustado (e provavelmente molhado) ao café mais próximo, para que pudesse comer. 

 

Parece-me tipicamente português: o que se faz a um piloto americano que aparece numa praia? Leva-se para o café. Pode ser que até goste de dominó.

 

Enfim, dominó não jogaram, mas perguntaram-lhe o que queria. Imagino a cara do americano com um círculo de portugueses dos anos 40 a perguntarem-lhe: "mas o que é que o senhor quer?" "Apetece-lhe o quê?" "Vai um bagacinho?" "Isso o homem quer é um bife!" — e por aí fora.

 

Foram-lhe oferecendo coisas, que o americano, por uma razão ou outra, ia recusando. Não queria nada. Nem vinho, nem bife, nem água.

 

Até que aparece o doido da terra e diz: "o homem quer é um galão." 

 

Todos se calam, o dono do café tira um galão, e o americano olha-o com olhos de agradecimento profundo, bebendo o leite com café bem quente como se fosse o maior desejo da vida dele.

 

É isto.

 

Pronto, o meu avô conta isto melhor do que eu. 

 

Mas já perceberam o que se ganha em conversar muitas vezes com os nossos avós...

 


 

E agora, uma imagem para ilustrar o post.

 

O problema é que não encontrei uma imagem dum avião americano despenhado numa praia portuguesa durante a II Guerra Mundial.

 

Pela internet fora, só um avião alemão... Enfim, é melhor do que nada. Aqui fica:

 

Fonte: http://diasquevoam.blogspot.pt/2006/01/praias-e-guerra.html

 

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publicado às 18:01


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