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Já vos disse que isto é um vício... De tal forma que consulto o site dos blogs do Sapo com mais frequência do que me atrevo a confessar...

 

Ora, olhando para as tags em destaque hoje, fica a dúvida: vai haver um referendo às praxes?

 

Brincadeirinha...

 

Mas, agora a sério, no meio desta discussão toda, não tenho certezas, mas posso dizer uma ou duas coisas:

 

1. O que vem a seguir a uma tragédia não é a melhor altura para discutir com cabeça seja o que for. Mesmo que os alunos estivessem envolvidos numa praxe no momento da onda que os matou, não foi a praxe que os matou, mas a onda... Por outro lado, chamar a atenção para alguns aspectos escondidos da praxe (pelos vistos tem de ser assim, no singular) só pode fazer bem.

 

2. A praxe é uma coisa que a mim não me assiste. Não gosto do ambiente. Só pratiquei uma vez e consistiu em cantar uma música dos Excesso e em ter umas letras pintadas na cara, o que não é praxe não é nada... Tudo o que tenho visto arrepia-me, mas também sei como é a análise selectiva das coisas praticada pela imprensa a mais das vezes. Por isso, alguma ponderação antes de desatar a querer proibir coisas, por favor.

 

3. Dito isto, parece-me estranho que um conjunto de jovens chegados à universidade declarem amor absoluto à Praxe e falem da diga cuja como se duma religião de tratasse (com padres-duxes e tudo). Amor ao conhecimento talvez fosse melhor (já estão todos a rir?), embora seja capaz de promover menos integração (um valor que pelos vistos anda a faltar aos jovens caloiros, que só com esterco se integram). Diria que uma noite de conversa integra muito mais, mas pronto. Ou até uma noite de bebedeira, sem esterco à mistura. Mas ficam lá com a bicicleta. (Como estamos a falar de praxes, se calhar é sem selim.)

 

Vivemos num país livre, até para estas coisas parvas. Convém é assumirmos a liberdade também para dizer não. Em resumo: acho que não se deve proibir a praxe (não podemos proibir tudo o que nos irrita), mas aos caloiros digo: não vão nessa cantiga. Limitem-se a brincadeiras e esqueçam a humilhação e tradição, que há coisas mais interessantes no mundo.

 

Foram os meus dois cêntimos para a conversa...

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25.01.14

Isto dos blogs tem isto de divertido: vamos vendo as contagens a subir. É sempre bom!

 

Obrigado a todos os leitores deste blog, que mal começou. Estou com vontade de o continuar por muito tempo... Vamos ver se para tando dá a força, o engenho e o tempo.

 

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Como vos disse, estou em casa dos meus pais, e pus-me a olhar para os livros que temos por cá. Uma série de enciclopédias, de colecções do círculo de leitores, muitos livros infantis e juvenis, alguns romances da minha mãe, os livros dela quando era nova, alguns livros dos meus irmãos — e muita coisa que acabou por ser importante para mim há muitos anos, mesmo que tenha escolhido deixar os livros por cá…

Há bocado os meus olhos repousaram na colecção do Círculo dos Leitores das Obras completas de Júlio Dinis.

 

 

O ano da colecção? Não sei. Porque o raio do Círculo dos Leitores faz uns livros muita giros para pôr nas estantes mas esquece-se de pôr o ano da edição na edição em si!

 

Se conseguisse, tinha posto uns três ou quatro pontos de exclamação na frase anterior. Mas é algo que não consigo. Tenho um bloqueio qualquer. Para mim, um ponto de exclamação já é caso de indignação ao nível dum ovo atirado à cara dum ministro.

 

Pronto, fim de indignação muito académica.

O Júlio Dinis (Tio Júlio para os amigos) é daqueles autores vagamente simpáticos que são considerados pelos meios literários apenas ligeiramente acima, sei lá, da MRP — e o ligeiramente acima é apenas porque o senhor já morreu há muitos anos. Não é por mal, mas o senhor escrevia uns romances um pouco açucarados e não é fácil escrever grandes dissertações em que se afirma que “Portugal estava todo lá”. Não, Portugal só pode estar todo lá no Eça. Portugal de antanho está também um pouco no Camilo. E o Garrett é que é que até fazia textos a dar para o modernos. Júlio Dinis? Ui, que coisinha sem sal. 

Ao contrário do que o tom ligeiramente irónico do parágrafo acima possa fazer crer, até concordo com essa análise. Se querem ganhar tempo a ler autores do século XIX, há muito melhor do que o tio Júlio.

(Já agora, uma nota rápida para vos dizer: já viram que, do século XIX, pouquíssimos autores sobrevivem? Ai, o tempo, o tempo, que até os imortais mata…)

Apesar disso, os livrinhos do tio são livros bons, talvez não como literatura de adultos, mas para jovenzinhos a iniciarem-se na literatura, talvez naquela transição entre o Clube das Chaves e outros voos mais sólidos. Digo isto como descrição do que se passou comigo...

Houve uma altura aí entre os meus 12 e 15 (não me lembro bem), em que li esta colecção toda de enfiada. Aquilo sabia bem ao gosto pouco atrevido do miúdo bem comportado que eu era — e já sabia a coisa séria. E tinha a vantagem de conhecer um Portugal interessante, o Minho do século XIX.

Como sempre, lembro-me de algumas imagens, de alguma emoções: da palavra trigueira, duma tradição qualquer relacionada com as colheitas, duma estrada entre o Minho e Trás-os-Montes... Lembro-me ainda de ter ficado surpreendido ao perceber que As pupilas do senhor reitor não tinham a ver com os lindos olhos do tal reitor.

E lembro-me dos sítios onde li a colecção, hábito que ainda durou uns bons e largos meses...

 

Lembro-me dum chalet das Astúrias onde fiquei com os meus pais numa viagem por terras de Espanha. Há uma foto em que estamos a sair do tal chalet e eu com uma carga de livros na mão, os meus irmãos a brincar à minha volta. Era uma casinha romanticamente instalada no meio dos Picos de Europa, nessa região espanhola onde devia ter levado o Alexandre Herculano para ler e sentir o peso da Ibérica visigótica, com o Eurico, o Presbítero. Mas fiquei-me com o açucarado Júlio. Enfim, não tinha noção do espaço literário, é o que é.

 

Lembro-me também da casa de férias duns amigos dos meus pais, uma casa de pescadores antiga e saborosamente imperfeita, em Ferragudo, muito diferente do Algarve que quase todos conhecem — casa onde li à sombra duma oliveira no pátio interior. E lembro-me de estar na casa de banho dessa casa algarvia, casa de banho que ficava no pátio, a ler, enquanto todos estranhavam a demora.

Lembro-me de haver uma página em branco num dos livros e ter ficado irritadíssimo com isso...

E, por fim, lembro-me do que não li: Uma Família Inglesa, logo aquele que é o romance mesmo assim mais vem considerado do autor, e um que até poderia ter sido útil no meu curso. Enfim, nunca fui muito de ler por obrigação e o entusiasmo pelo autor durou uma série de meses mas desapareceu nas primeiras páginas da família inglesa, que mesmo assim consegui perceber que vivia no Porto, o que me parece muito típico para ingleses portugueses, que também os há.

 

Enfim, se o Tio Júlio não valer por mais nada, vale por essas recordações...


A colecção incluía tudo, incluindo rascunhos, contos por criar, etc. Por algum motivo, fiquei intrigado com aquilo e deu-me vontade de escrever. Escrevi contos juliodinisianos, armado em adolescente escritor, que espero já tenham desaparecido na voragem das mudanças de casa. Felizmente, nunca me deu para achar que a coisa era interessante. Tinha, de facto, a comichão de escrever, algo que todos os leitores, mais cedo ou mais tarde, sentem (pelo menos no nosso poético Portugal). Felizmente, entretanto apareceram os blogues para coçar essa comichão de escrever que tantos temos.

 

Deixo-vos com este início da Morgadinha, que sempre achei um início saboroso, com uma estrada, entre duas velhas províncias — mas isso sou eu, que sempre me dei muito bem com estradas e livros...

 

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Como vos disse, cá estou por terras de meus pais (e, vamos lá ver, por terras minhas, que foi por aqui que nasci e cresci até aos 18 anos). Pouco tempo para blogar, e lá vou deixando correr o blog com as perguntas e as respostas que vão caindo, e que gosto muito de ler.

 

Uma coisa que tenho notado é que isto torna-se mesmo um vício... Ou será "se torna"? Raios! Não quero cair na fúria de blogger estabelecidas e que gosto tanto de ler... Mas tenho de vos dizer que acho mesmo que, se queremos que a língua portuguesa ando por aí forte e saudável, andarmos a listar (ou será enumerar?) erros e a acusar meio mundo de estrangeirismos, erros de palmatória, formas de dizer menos normativas, etc., etc., só leva ao medo e ao bloqueio de mãos.

 

Deixem-se lá disso!... Escrevam e leiam e escrevam mais e leiam mais, e a língua fluirá, e não serão mais infelizes por isso. 

 

Não facilitem: a língua não é um conjunto de regras fáceis de decorar. É muito mais do que isso.

 

(Tenho de voltar a isto para vos explicar melhor o que quero dizer...)

 

Adenda

O ano passado tive a ideia dum blog dedicado a cartas ao meu filho, mas acabou por não se concretizar. Uma das cartas que tinha escrito era esta, Sobre Escrever:

 

Vais ouvir muitas pessoas a dizer que escrever bem é escrever sem erros ortográficos e cumprindo umas quantas regras e rejeitando umas expressões e palavras que irritam muita gente. Essas mesmas pessoas vão dar-te listas com esses erros, com essas irritâncias profundas, com toda a série de pecados mortais da língua que tens de evitar se quiseres escrever bem. Vais chegar à conclusão que cada pessoa tem uma lista ligeiramente diferente. Se fores juntar todas as listas, tens de ficar calado, porque não é possível escrever obedecendo a todos estes caprichos. Se reclamas, vão dizer-te: não podes ser facilitista. Não sejas preguiçoso. Faz como eu digo, e ponto final! Pois, eu digo-te outra coisa: escrever bem não é isso. Escrever bem é conseguir dizer o que queres da forma como queres. Vais perceber rapidamente que isto que acabei de dizer é muito difícil. Primeiro, porque nem sempre sabes bem o que queres dizer nem a forma como o deves fazer. Por isso, arruma as tuas ideias (mas não de forma que as deixas a ganhar pó, se faz favor). Depois, escreve. E revê. Não te preocupes em demasia com as ninharias (mas, enfim, evita-as, para não irritares demasiado os sensíveis da língua). Preocupa-te em escrever bem. Mais uma vez: preocupa-te em dizeres o que queres dizer, da forma como queres dizer. Às vezes, será de forma simples e directa, outras vezes irónica ou sarcástica, outras vezes de forma misteriosa e sedutora. Como irás aprender muito depressa, podes decidir dizer X da forma Y, e as primeiras versões vão parecer outra coisa qualquer, dita duma forma espatafúrdia. Por isso, cá está o meu conselho, filho: escreve muito e tenta dizer bem aquilo que tens para dizer. Tenta. Tenta outra vez. Repete e não desistas. Um dia, daqui a muitos anos, quando fores mais velho do que eu, saberás escrever bem.

 

 

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publicado às 15:05

Têm muitos amigos que não gostam de ler?

 

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Os vossos filhos gostam de ler?

 

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