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Livros & Outras Manias

Livros & Outras Manias

05
Mar14

Uma biblioteca cheia de livros por ler?

Marco

Conheço quem ache estranho ter muitos livros por ler. Ou seja, segundo algumas pessoas, os livros que temos nas estantes de casa devem ser os livros que já lemos — se assim não for, incorremos no pecado da hipocrisia, como se ter um livro na estante tivesse necessariamente de querer dizer que já o lemos e se não o fizemos estamos a enganar as pobres pessoas que querem saber tudo o que está dentro da nossa cabeça.

 

Pois eu tenho mesmo muitos livros que ainda não li. Não faço ideia se são a maioria dos livros que tenho (julgo que não), mas são muitos.

 

Pois ao folhear o The Black Swan de que vos falei há pouco, aparece-me este parágrafo magnífico sobre esse assunto (traduzo directa e livremente, embora haja tradução "oficial" em português — só que não a tenho aqui):

 

O escritor Umberto Eco faz parte dessa pequena classe de académicos que têm um conhcimento enciclopédico, são perspicazes e não são nada aborrecidos. É o proprietário duma grande biblioteca pessoal com trinta mil livros e costuma separar os visitantes em duas categorias: aqueles que reagem com um "Bem! Senhor Professor Doutor Eco, que biblioteca tem aqui! Quantos destes livros já leu?" e os outros — uma pequeníssima minoria — que percebem este simples facto: uma biblioteca privada não é um apêndice para nos afagar o ego, mas sim uma ferramenta de investigação. Os livros já lidos valem muito menos do que os livros por ler. Uma biblioteca deve conter tanto quanto possível de tudo aquilo que não sabemos — tanto quanto permitirem as nossas finanças, a nossa hipoteca e a crise do mercado imobiliário. Acumulamos conhecimento e livros à medida que envelhecemos e o número cada vez maior de livros por ler nas nossas estantes olha para nós de forma ameaçadora. De facto, quanto mais sabemos, maiores as filas de livros por ler. Chamemos a esta colecção de livros por ler uma "anti-biblioteca".

 
Já agora, para quem não confiar nos meus dotes de tradução, aqui vai o original:

 

“The writer Umberto Eco belongs to that small class of scholars who are encyclopedic, insightful, and nondull. He is the owner of a large personal library (containing thirty thousand books), and separates visitors into two categories: those who react with “Wow! Signore, professore dottore Eco, what a library you have ! How many of these books have you read?” and the others - a very small minority - who get the point that a private library is not an ego-boosting appendage but a research tool. Read books are far less valuable than unread ones. The library should contain as much of what you don’t know as your financial means, mortgage rates and the currently tight real-estate market allows you to put there. You will accumulate more knowledge and more books as you grow older, and the growing number of unread books on the shelves will look at you menancingly. Indeed, the more you know, the larger the rows of unread books. Let us call this collection of unread books an antilibrary.”

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