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Numa destas últimas idas à livraria-cujo-nome-não-vou-repetir-que-não-me-pagam-para-isso, encontrei este calhamação, duns veritiginosos 40 euros (para cima), que inclui entre as capas as memórias de Joaquim Paço d'Arcos.

 

 

 

Não comprei — e nem sequer li alguma vez um livro do senhor. Mas lembro-me de, várias vezes, ter rondado livros dele, ou na biblioteca da faculdade, ou numa ou outra livraria.

 

Sei pouco, o que sei é vago, mas sei que o nome do homem (nem que seja por causa do apelido) me faz lembrar ambientes de classe alta da linha de Cascais, os palacetes que encontramos ao embrenhar-nos pelo Estoril acima, as imagens de carros dos anos 40 a fazerem a Marginal (o que deve ser um anacronismo, mas não faz mal), intrigas entre fumo de charutos e famílias ricas nesse pedaço de terra abençoado por Deus (e pelas famílias reais europeias) — um pedaço de terra virado a sul, ali ao lado de Lisboa, que no fundo é o cenário de romances, intrigas, séries, filmes, imaginações febris, carros a altas velocidades, barcos a ondular no Tejo, pequenos e grandes crimes, amores de miúdos ricos e não só, e tudo isso (e mais alguma coisa). Ah, e há ainda um casino que incendiou a imaginação dum tal de Ian Fleming, e daí Casino Royal, e daí 007, e daí espiões, e daí um certo ambiente literário que não deixa de ser apetitoso (depende dos dias).

 

Nesses poucos quilómetros de costa escondem-se esses "eles" de que o resto do país fala, sem saber bem do que fala, uma espécie de nata (às vezes desnatada) que já controlou ou ainda controla o país — ou julga que controla, aliás. Mas esconde-se também muito mais, nesse que é, provavelmente, um dos pedaços de costa mais lindos da Europa (digo eu, que ainda não percorri todas as costas da Europa. Falta-me um cantinho ali para o Báltico).

 

Tenho também histórias por ali passadas, mas fica para depois. Digo-vos só que fazer a Marginal às 6 da manhã, de Cascais para Lisboa, com o sol a nascer, é das coisas mais interessantes que um homem pode fazer, sozinho, num carro.

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publicado às 09:11


2 comentários

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De RAA a 03.02.2014 às 15:46

Excelente post :)

A Linha é isso, e tudo o resto. Alguns ainda mandam; a maioria já deixou de. Resta a influência dos nomes.
(A Marginal nos anos 40 não é anacronismo).

Quanto ao Joaquim Paço d'Arcos, merece muito a pena ler-lhe os romances. Não é o principal romancista português do século XX, mas pertence ao pelotão da frente. Chamavam-lhe "o Alves Redol das classes altas" -- susceptíveis, como as "baixas", de serem tratadas romanescamente, como se sabe desde o século XIX. As Memórias são interessantes do ponto de vista histórico, parciais e não isentas, como é de esperar de textos autobiográficos.
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De Marco Neves a 03.02.2014 às 16:09

Obrigado! :)
Este comentário acaba por me fazer ter mais vontade de ler o autor. Há-de chegar o dia, espero.

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