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Livros & Outras Manias

Livros & Outras Manias

04
Mai14

Cascais ou o Promontório da Lua

Marco

Tenho um fascínio antigo por Oeiras, Cascais e Sintra (e não, não sou um menino da Linha). Esse fascínio tem várias razões, muitas delas comuns a tanta gente (Cascais é de facto lindo, a zona é especial, escolhida por reis e rainhas ao longo de décadas), mas algumas só minhas. Uma delas é ter lido, há muitos anos, este livro de Alice Vieira:

 

 

Pois hoje encontrei-me a passear por Cascais, depois a fazer a Estrada do Guincho, a subir até Colares, a olhar para Sintra — tudo sob o sol de Maio que nos obriga a concluir que as palavras não chegam para explicar a beleza daquelas terras encavalitadas na Serra de Sintra, ao sol, enquanto, por entre curvas e canaviais, vemos a costa lá em baixo, o Cabo da Roca, o Palácio da Pena mesmo ali — e tudo o mais. Bem, vou deixar-me de tentativas vãs e pôr fotos, que é o que se quer (não são minhas, infelizmente).

 

 

 

 

 

 

03
Fev14

¶ Um livro que não comprei e memórias que não tenho

Marco

Numa destas últimas idas à livraria-cujo-nome-não-vou-repetir-que-não-me-pagam-para-isso, encontrei este calhamação, duns veritiginosos 40 euros (para cima), que inclui entre as capas as memórias de Joaquim Paço d'Arcos.

 

 

 

Não comprei — e nem sequer li alguma vez um livro do senhor. Mas lembro-me de, várias vezes, ter rondado livros dele, ou na biblioteca da faculdade, ou numa ou outra livraria.

 

Sei pouco, o que sei é vago, mas sei que o nome do homem (nem que seja por causa do apelido) me faz lembrar ambientes de classe alta da linha de Cascais, os palacetes que encontramos ao embrenhar-nos pelo Estoril acima, as imagens de carros dos anos 40 a fazerem a Marginal (o que deve ser um anacronismo, mas não faz mal), intrigas entre fumo de charutos e famílias ricas nesse pedaço de terra abençoado por Deus (e pelas famílias reais europeias) — um pedaço de terra virado a sul, ali ao lado de Lisboa, que no fundo é o cenário de romances, intrigas, séries, filmes, imaginações febris, carros a altas velocidades, barcos a ondular no Tejo, pequenos e grandes crimes, amores de miúdos ricos e não só, e tudo isso (e mais alguma coisa). Ah, e há ainda um casino que incendiou a imaginação dum tal de Ian Fleming, e daí Casino Royal, e daí 007, e daí espiões, e daí um certo ambiente literário que não deixa de ser apetitoso (depende dos dias).

 

Nesses poucos quilómetros de costa escondem-se esses "eles" de que o resto do país fala, sem saber bem do que fala, uma espécie de nata (às vezes desnatada) que já controlou ou ainda controla o país — ou julga que controla, aliás. Mas esconde-se também muito mais, nesse que é, provavelmente, um dos pedaços de costa mais lindos da Europa (digo eu, que ainda não percorri todas as costas da Europa. Falta-me um cantinho ali para o Báltico).

 

Tenho também histórias por ali passadas, mas fica para depois. Digo-vos só que fazer a Marginal às 6 da manhã, de Cascais para Lisboa, com o sol a nascer, é das coisas mais interessantes que um homem pode fazer, sozinho, num carro.

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