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Livros & Outras Manias

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25
Jan14

¶ Sobre o português e outros vícios

Marco

Como vos disse, cá estou por terras de meus pais (e, vamos lá ver, por terras minhas, que foi por aqui que nasci e cresci até aos 18 anos). Pouco tempo para blogar, e lá vou deixando correr o blog com as perguntas e as respostas que vão caindo, e que gosto muito de ler.

 

Uma coisa que tenho notado é que isto torna-se mesmo um vício... Ou será "se torna"? Raios! Não quero cair na fúria de blogger estabelecidas e que gosto tanto de ler... Mas tenho de vos dizer que acho mesmo que, se queremos que a língua portuguesa ando por aí forte e saudável, andarmos a listar (ou será enumerar?) erros e a acusar meio mundo de estrangeirismos, erros de palmatória, formas de dizer menos normativas, etc., etc., só leva ao medo e ao bloqueio de mãos.

 

Deixem-se lá disso!... Escrevam e leiam e escrevam mais e leiam mais, e a língua fluirá, e não serão mais infelizes por isso. 

 

Não facilitem: a língua não é um conjunto de regras fáceis de decorar. É muito mais do que isso.

 

(Tenho de voltar a isto para vos explicar melhor o que quero dizer...)

 

Adenda

O ano passado tive a ideia dum blog dedicado a cartas ao meu filho, mas acabou por não se concretizar. Uma das cartas que tinha escrito era esta, Sobre Escrever:

 

Vais ouvir muitas pessoas a dizer que escrever bem é escrever sem erros ortográficos e cumprindo umas quantas regras e rejeitando umas expressões e palavras que irritam muita gente. Essas mesmas pessoas vão dar-te listas com esses erros, com essas irritâncias profundas, com toda a série de pecados mortais da língua que tens de evitar se quiseres escrever bem. Vais chegar à conclusão que cada pessoa tem uma lista ligeiramente diferente. Se fores juntar todas as listas, tens de ficar calado, porque não é possível escrever obedecendo a todos estes caprichos. Se reclamas, vão dizer-te: não podes ser facilitista. Não sejas preguiçoso. Faz como eu digo, e ponto final! Pois, eu digo-te outra coisa: escrever bem não é isso. Escrever bem é conseguir dizer o que queres da forma como queres. Vais perceber rapidamente que isto que acabei de dizer é muito difícil. Primeiro, porque nem sempre sabes bem o que queres dizer nem a forma como o deves fazer. Por isso, arruma as tuas ideias (mas não de forma que as deixas a ganhar pó, se faz favor). Depois, escreve. E revê. Não te preocupes em demasia com as ninharias (mas, enfim, evita-as, para não irritares demasiado os sensíveis da língua). Preocupa-te em escrever bem. Mais uma vez: preocupa-te em dizeres o que queres dizer, da forma como queres dizer. Às vezes, será de forma simples e directa, outras vezes irónica ou sarcástica, outras vezes de forma misteriosa e sedutora. Como irás aprender muito depressa, podes decidir dizer X da forma Y, e as primeiras versões vão parecer outra coisa qualquer, dita duma forma espatafúrdia. Por isso, cá está o meu conselho, filho: escreve muito e tenta dizer bem aquilo que tens para dizer. Tenta. Tenta outra vez. Repete e não desistas. Um dia, daqui a muitos anos, quando fores mais velho do que eu, saberás escrever bem.

 

 

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