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Livros & Outras Manias

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30
Dez13

¶ How I Met Your Mother

Marco Neves

Sim, a nossa geração, em geral, gosta desta série como de poucas. Pronto, admito, talvez apenas a nossa geração urbana, o que faz uma grande diferença. Não sei, não fiz nenhuma investigação sociológica, e se calhar devia ter feito se queria comentar isto no Facebook. Adiante.

 

Esta série apresenta a vida atribulada dum grupo de amigos: um geek simpático (o Ted), um cabrão simpático (o Barney), um casal corny simpático (o Marshal e a Lily), uma boazona que é também um bro (a Robin) — que é, obviamente, desejada pelo geek e fica com o cabrão, porque a vida é assim mesmo — e todas as outras personagens que gravitam à volta destes gajos fixes. O final feliz está garantido pela presença dos dois filhos do Ted no início de cada episódio, lindos e interessados na vida de jovem do pai cool que o Ted tem de ser.

 

As situações são reais q.b., por vezes surreais, sempre de partir a rir, tudo numa comédia que tem o ethos da nossa geração, mas com aquela sensação feel good que nos faz dizer: sim, nós somos assim, com muito orgulho.

 

Claro que não somos bem assim... Antes de mais, não somos nova-iorquinos. Vivemos no Cacém, na Bobadela, pronto, talvez alguns de nós em Lisboa, outros no Porto, e para nós até Nova Jersey é algo mítico, terra de filmes e mitos muito nossos. Mas não é por isso. Lisboa também podia ser esta Nova Iorque. A questão é outra. A questão é que nós gostávamos de ser assim, mas nunca poderíamos ser assim. A amizade não é assim, é outra coisa, bem mais dolorosa. Sim, apaixonamo-nos e desapaixonamo-nos, mas custa muito e não há laughing track na nossa vida. Sim, há geeks e há cabrões e há boazonas e casais corny — mas muitas vezes somos todos muito maus uns para os outros, quase nunca nos toleramos assim e quase sempre andamos sem paciência para a geekice, cabronice, boazice e cornyzice dos outros. 

 

Mas depois, sim, queríamos ser assim. E isso já é alguma coisa. E na vida complicada de todos os dias, lá vamos encontrando uma ou outra oportunidade para sermos melhores e, uma vez por outra, em certas noites, numa pista de dança qualquer, até parece que somos personagens do HIMYM e ficamos felizes, porque é disso que esta série trata: da felicidade que encontramos no meio dos nossos amigos.

 

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