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Livros & Outras Manias

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13
Fev14

¶ Andorra e Os Lusíadas (2)

Marco

Ora, continuando a saga de Andorra...

 

Não sei se conhecem os spaghetti westerns...

 

 

O giro destes filmes (além da possível qualidade dos mesmos) é que foram gravados na Europa... Por exemplo, em Espanha. Muitos dos desertos do Velho Oeste são, na realidade, antigos desertos ibéricos. 

 

Por isso, amigos, atravessar a Península Ibérica em Agosto é atravessar os desertos onde o Clint Eastwood andava aos tiros há umas décadas. 

 

É quente como o raio.

 

Mas, pronto, adiante. 

 

Afinal, chegados a Andorra, ficaríamos mais frescos, certo?

 

Nem por isso. Andorra, em Agosto, não é propriamente um destino de neve. 

 

Aliás, nem foi para isso que lá fomos. Fomos porque éramos malucos — e o casal amigo dos meus pais diziam que lá se faziam boas compras para motards, coisa que eles os quatro (meus pais e casal amigo) eram ou queriam ser nesses velhos tempos em que tinham 30 e poucos anos.

 

Depois, Andorra era parte das velhas histórias de família, porque a minha avó paterna tinha lá passado muitos anos antes e tinha-lhe acontecido daquelas coisas que os avós contam aos netos. Mas depois vemos isso, agora vamos voltar à nossa viagem a Andorra (que ainda há-de desembocar n'Os Lusíadas).

 

Pois bem, depois de dois dias (salvo erro) de viagem, vimo-nos num hotel em Andorra. Andorra é um país curioso. Parece um país a brincar, porque é tão pequeno. Podemos percorrer o país em pouco tempo — apesar de estar ali no meio das montanhas. É uma espécie de país em miniatura que, nesse mesmo ano (1993), perdeu todos os restos de feudalismo, ao transformar-se numa democracia moderna e independente (com a bonita excepção dos dois príncipes, que ao velho jeito feudal, continuam a ser os senhores de terras próximas: o chefe dos francos e o bispo da diocese ao lado — ou seja, o Presidente da França e o Bispo de Urgell). 

 

 

Fonte: http://www.hoya.com.br/blog/descobrindo-andorra/

 

Passeámos muito, é certo, mas uma das coisas de que me lembro melhor é de estar nesse quarto e ligar a televisão e ver um programa qualquer da televisão andorrana.

 

Ora bem...

 

Não sei se os mais distraídos sabem disto, mas Andorra é um país independente, aliás mais antigo que Espanha, por exemplo.

 

Não só é independente, como a língua oficial não é nem o espanhol nem o francês, mas antes o catalão. Claro que quem souber espanhol safa-se bem, mas isso também pode ser dito do português, pois uma percentagem elevadíssima da população fala a nossa querida língua.

 

Ora, o que eu ouvi nesse programa, em 1993, foi a apresentadora a falar em catalão.

 

Não sei se já ouviram essa língua — para muitos portugueses, soará a algo parecido com o espanhol, e chega de investigar a coisa. É espanhol, ponto.

 

Mas não é, claro. Um madrileno perceberá tão bem um catalão a falar catalão como um português a falar português. Os catalães também falam espanhol, claro, mas quando falam catalão são polacos para os outros espanhóis — que, aliás, lhes chamam isso mesmo: polacos (em jeito de insulto).

 

O que se passa é o seguinte: o catalão falado tem uma sonoridade estranhamente portuguesa. Não compreendemos muita coisa, principalmente sem treino. Alguns falantes do catalão, além disso, falam com um sotaque muito castelhanizado, o que é normal, tendo em conta que as duas línguas interferem uma com a outra. Mas alguns catalães, a falar, soam a portugueses. Afinal, o catalão tem muito mais vogais do que o espanhol, o que também acontece com o português europeu (mas não com o português brasileiro). 

 

Adiante: nos meus doze anos muito geeks (geeks no sentido de gostar de línguas e de inventar línguas), fiquei fascinado com aquilo. Tanto, que comecei a reparar naquela língua, a ler sobre aquela língua e a ficar um pouco obcecado pelo catalão — também muito por obra de ser teimoso e ter tido uma discussão com uma tia minha alguns dias depois de voltar sobre o facto de o catalão não ser um dialecto do espanhol.

 

Hei-de vos contar isso mais adiante. Para já, ficamos por aqui.

 

Mas continuemos a viagem: se entramos em Andorra pela fronteira espanhol, saímos por Pas de la Casa, na fronteira francesa. Foi a primeira vez que entrei em França e lembro-me de olhar fascinado para um castelo, com a tricolor a ondear altivamente. Chegámos a Bourg Madame, onde fiquei muito baralhado com as placas da estrada. Afinal, todos os lados pareciam dizer "Espagne". Havia Espanha por todos os lados. 

 

E, de facto, se olharem para o mapa, é mesmo assim. Bourg Madame fica entalada entre Espanha e um enclave espanhol em França, chamado Llívia. Isto acontece por causa da história da Catalunha. Hei-de voltar a estes assuntos — mas por favor não fujam já do blog!

 

 

Não percam as cenas dos próximos capítulos: o que contava a minha avó sobre quando foi a Andorra há muitos anos, o que nos aconteceu em Barcelona enquanto estávamos pendurados no teleférico e, last but not the least, o que raios tem isto a ver com os Lusíadas.

 

 

 

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