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Livros & Outras Manias

Livros & Outras Manias

29
Set16

Cinco palavras que fazem falta à língua portuguesa

Marco

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Ando a ler o livro Lingo, de Gaston Dorren. É um livro ideal para quem gosta de línguas — e também para quem gosta de viajar e quer ver a Europa com outros olhos.

 

No final de cada capítulo, o autor escolhe uma ou duas palavras que faltam na língua inglesa. Vai buscá-las à língua descrita nesse capítulo.

 

Não são palavras intraduzíveis — porque palavras impossível de traduzir, quanto a mim, não existem. (Não me venham com o exemplo batido da «saudade»!) Todas estas palavras podem ser traduzidas — só que temos de usar mais palavras.

 

Mas, sim, há línguas que conseguem explicar um determinado conceito só com uma palavra e outras que gastam linhas e linhas para dizer a mesma coisa. Porquê? Boa pergunta.

 

Pois, hoje, quero mostrar-vos algumas dessas palavras, recolhidas por Gaston Dorren no livro de que vos falei.

 

Escolhi cinco palavras que nos podem ajudar a ter um 2016 melhor do que 2015.

 

Aqui ficam cinco palavras que fazem falta ao português:

 

  1. Gönnen. Uma palavra alemã que é o antónimo de «inveja». A sensação agradável que sentimos quando acontece alguma coisa de bom a outra pessoa. (Em português, talvez a melhor tradução seja «ficar feliz por».)
  2. Tafalle. Uma palavra em frísio (uma língua falada no norte da Holanda) que significa «acabar melhor do que o esperado».
  3. Talaka. Uma palavra bielorrussa que significa «trabalho voluntário em prol do bairro».
  4. Merak. Uma palavra sérvia e croata que significa «o prazer que sentimos quando realizamos actividades simples, como, por exemplo, estar com os amigos».
  5. Sitooterie. Uma palavra em scots, uma língua escocesa, que significa um sítio construído para um casal se sentar sozinho, em saborosa intimidade — por exemplo, num jardim ou ao pé da praia. Pode ainda ser uma sala com um sofá e uma boa paisagem ou um canto um pouco escondido, numa festa. Não é delicioso?

 

Ora, aqui está. Desejo-vos um 2016 cheio desse prazer das coisas simples, que acabe melhor do que o esperado e que tenha um ou outro momento em que possam estar, com a vossa cara-metade, numa bonita sitooterie.

 

 

UMA VERSÃO REVISTA DESTE ARTIGO FOI PUBLICADA NO LIVRO
DOZE SEGREDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA.

LIVRO

31
Ago16

O último dia de Agosto e a felicidade (com livros)

Marco

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Este último dia de Agosto tem sempre um sabor um pouco amargo. É como as tardes de domingo: ainda não é segunda-feira, mas o peso da dita já se sente nos ombros. Pois é: ainda não é Setembro, mas as férias acabam, as praias esvaziam-se, a rotina volta. Pois hoje, para comemorar o fim do mês, deu-me para falar de felicidade. Coisa aborrecida, não?

 

Li há uns tempos no El País que a felicidade são quatro coisas: conversas, música, actividade física — e sexo. Nada contra, mas faltava o óbvio quinto elemento: livros. Enfim, a felicidade é que uma pessoa quiser — mas lá que esses cinco elementos têm a sua importância, têm sim senhor (alguns deles até se podem misturar com muito proveito: a música, então, vai bem com tudo).

 

Bem, concorde ou não com o psicólogo citado pelo El País, a verdade é que as férias sabem tão bem porque podemos fazer tudo aquilo de que gostamos sem grandes interrupções (sim, eu sei bem, quem tem filhos deixa de poder fazertudo o que quer a todo o momento — mas os filhos trazem um outro tipo de felicidade que não é chamada para este post)

 

Durante as férias, podemos aproveitar os dias à procura dessa felicidade concreta — nadar, correr, conversar, ouvir, amar. E ler, ler mesmo muito, sem intervalos. Pronto: convém comer. E dormir. Mas o tempo é imenso e as páginas dos livros passam quase sem darmos por elas, enquanto o nosso filho descobre como é bom nadar e estar ao sol.

 

Custa quando chega ao fim? Claro que sim. Mas reparem numa coisa: tudo o que disse acima não precisa de acabar no dia 31 de Agosto. Sim, teremos menos tempo. Mas a felicidade do quotidiano também implica arranjar tempo para ouvir música, beijar, correr ao fim da tarde, conversar com aqueles de quem gostamos. E ler.

 

Nesta guerra, o tempo será sempre uma espécie de inimigo — e é desesperante quando temos dias em que quase não conseguimos respirar, quanto mais ler & amar & conversar & correr. Mas desistir não vale a pena: com alguma sorte e muita arte, lá encontramos pequenas ilhas nos nossos dias para estas felicidades bem concretas.

 

É isso que vos desejo no regresso ao dia-a-dia. E, confessem lá, Setembro também tem os seus encantos. Lembro-me bem, quando era mais novo, de sentir o cheiro dos livros novos da escola e sorrir (os meus pais, a olhar para a conta, é que sorriam menos). Em Setembro, era o tempo de me reencontrar com os amigos. E continua a ser bom voltar com força e recomeçar. Pois, assim seja: um bom regresso a casa, ao trabalho e, se for o caso, às aulas — com boas conversas, uma corrida à beira-rio, algum amor, muita música e muitos livros.

 

Amanhã vou-vos contar um segredo das minhas férias: confundi a Grécia com Portugal! Amanhã, quer dizer: se tiver tempo. Bom fim de Agosto!

17
Jul16

Livro do dia | Como surgiu a Al-Qaeda?

Marco

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Livros, livros e mais livros! Vou tentar deixar neste meu canto virtual um livro interessante todos os dias.

 

Pronto: todos os dias é capaz de ser difícil. Mas tentarei sempre que possível.

 

Ora, hoje levanto-me, aproximo-me das estantes e encontro The Looming Tower: Al-Qaeda’s Road to 9/11, de Lawrence Wright (2006).

 

Em português, A Torre do Desassossego.

 

Confesso: ainda não acabei de ler esta obra gigantesca (desarrumo tantos os livros, que às vezes perco de vista obras que estou a ler…). Mas li o suficiente para saber que Wright nos explica a história dum certo tipo de fundamentalismo islâmico, aquele que nos deu a Al-Qaeda — e viria a dar origem ao Daesh, embora isso já seja história mais recente.

 

É interessante saber que a Al-Qaeda teve o seu início numa pacata cidade universitária norte-americana.

 

Não, não estou a defender uma das muitas e absurdas teorias da conspiração, que põem nas mãos do governo dos EUA a invenção dos seus inimigos.

 

O que se passa é que alguns dos intelectuais do wahhabismo (a corrente fundamentalista que deu origem ao terrorismo que nos anda a atacar) estudaram na América. No entanto, longe de estarem ao serviço dessa América, esses intelectuais aprenderam a desprezá-la por verem nela um ninho de decadência, perversão e mistura pouco saudável entre homens e mulheres.

 

Pelo que já li, o livro é um feito incomum de investigação profunda e narração inspirada. O autor explica o percurso intelectual e político da Al-Qaeda de forma detalhada, iluminando certos aspectos do nosso mundo muito para lá da história duma organização terrorista específica. Os bons livros são assim: vão além do tema principal; ou melhor, usam esse tema para mostrar o mundo doutra maneira.

 

Um pormenor: a certa altura, percebemos como muito do desprezo dos radicais islâmicos pelo Ocidente (e também pelos sectores menos radicais das suas próprias sociedades) se liga à sua aversão ao sexo fora das rigorosas margens religiosas. O Ocidente seria, na mente deles, obcecado pelo sexo, e por isso decadente e por isso desprezível. Curiosamente, também percebemos como há muito de tensão interior nesse desprezo pelos prazeres da carne. A obsessão também está no coração de muitos deles, mas reprimida até se transformar em pureza.

 

Esta obsessão pela pureza (sexual e não só) é sintoma de muito totalitarismo e muito fanatismo. Diria mesmo que «pureza» é das palavras mais perigosas do mundo. Olhem para as fotos de Osama bin Laden: o seu ar é, muitas vezes, beatífico. A sua fama era de pureza e santidade. E aí reside, muitas vezes, o mal do mundo: na necessidade de limpeza (sexual, étnica, religiosa…), na necessidade de purificação da alma, nem que seja com sangue. Muito sangue.

 

Livro do dia: The Looming Tower. Lawrence Wright (2006) [Amazon].

24
Jun16

Símbolos e sinais vindos da Escócia

Marco

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Esta é uma foto da primeira-ministra escocesa a falar aos jornalistas, há pouco, anunciando planos para um segundo referendo escocês.

Repare-se nas bandeiras que a rodeiam. A Escócia não é um Estado-membro da UE (é, tecnicamente, uma região dum Estado-membro). E, no entanto, a bandeira está lá. De propósito. Tal como a bandeira escocesa. Apenas essas. Mais nenhuma.

Agora, proponho que procurem uma foto com uma bandeira europeia numa declaração do primeiro-ministro britânico em Londres de há muitos anos para cá: será praticamente impossível. Ao contrário de quase todos os Estados-membros, o Reino Unido raramente usa os símbolos europeus.

As bandeiras são pedaços de pano, dirão alguns. Pois são. Mas são pedaços de pano muito significativos.

A verdade é que Reino Unido sempre foi um membro hesitante da União. Mas a grande ironia é que este referendo aparece numa altura em que as gerações mais novas se sentiam cada vez mais europeias e em que as décadas de convivência nos fazem sentir a todos um pouco europeus. Assim, sentimos a saída britânica como uma perda muito nossa. Mas, enfim, está feito. O Reino Unido sai. Teremos de ser amigos como dantes.

Já a Escócia... Um sinal: uma das grandes defensoras da manutenção da Escócia no Reino Unido, há dois anos, foi J. K. Rowling, que lutou com todas as suas forças contra a independência.

Pois bem. Dois tweets da autora, há poucas horas:

- "Goodbye, UK."
- "Scotland will seek independence now. Cameron's legacy will be breaking up two unions. Neither needed to happen."

Não desejo que o Reino Unido se parta em dois. Mas compreendo que os escoceses queiram ficar na Europa: a opção pela Europa foi, por larga margem, a mais votada em TODAS as regiões escocesas. Sem excepção.

E, mais: há dois anos, uns dos argumentos de quem lutou contra a independência foi este: uma Escócia independente poderia vir a ficar fora da UE. Ora, hoje, estamos ao contrário: só uma Escócia independente pode ficar na União.

Tudo isto é difícil. Raramente vemos a política nacional doutro país entrar-nos pela casa dentro e fazer-nos tanta impressão. É a democracia a funcionar, dizem. Claro que sim. Os ingleses têm todo o direito de sair. Tal como nós temos o direito de ficar tristes, como europeus que também somos. E a maior tristeza de todas é a de alguns ingleses, que percebem o que aconteceu: perderam alguns direitos e liberdades dum dia para o outro.

07
Jun16

Os segredos da língua na Feira do Livro

Marco

Como será ver a feira do outro lado?

 

Ora, é já esta sexta-feira: num dia muito apropriado, estarei na Feira do Livro, às 15h, a assinar o livro Doze Segredos da Língua PortuguesaSerá no Pavilhão B29 (Guerra & Paz).

 

Também lá estarão Helder Guégués (autor do livro Em Português, Se Faz Favor) e Manuel da Fonseca (editor da Guerra & Paz e autor do Pequeno Dicionário Caluanda).

 

O evento também está no Facebook.

 

Terei todo o gosto em conversar um pouco com os leitores do livro que por lá queiram aparecer.

 

Até sexta!

Sessoes para os autores9

 

(Já agora, mais um segredo: quem quiser receber o livro autografado em casa pode encomendá-lo através deste formulário. Mas que isto não sirva de desculpa para não aparecer na Feira…)

 

01
Mai16

Camões falava como um brasileiro?

Marco

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Alguns livros são como barras de chocolate: apetece comê-los duma vez, mas com alguma força de vontade conseguimos ir deixando uns pedaços para depois. Há um livro que é uma tentação para os meus olhos: A Mouthful of Air, de Anthony Burgess.

 

Burgess é um dos meus autores favoritos. O livro é sobre línguas. Junta-se o agradável ao apetitoso, e fico maravilhado a ler sobre línguas, sobre literatura e tudo com aquela voz inconfundível de quem faz o que quer com a coitada da língua inglesa, que no fim nem sabe de que terra é.

 

Assim, com muita força de vontade, vou lendo o livro devagarinho, ao longo de muito tempo. Sim, às vezes consigo fazer isso mesmo. Ora, há pouco apeteceu-me ler mais um pouco. Foi assim que, enquanto ao meu lado o meu filho seguia uma história de lobos e tigres, li sobre aquilo que se sabe da pronúncia de Shakespeare.

 

Burgess lá explicava, divertido, que se os nossos ouvidos de hoje em dia aterrassem na Londres isabelina e ouvissem o próprio do Shakespeare a declamar os seus sonetos ou a representar alguma das suas peças, ficariam admiradíssimos com o sotaque que hoje diríamos bem provinciano. Só como exemplo, «lust» seria lido com um «u» à portuguesa, «shame» seria algo como «shéme», «so» seria «sô», tal como «to go» («to gô»), «to know» («to nô»), etc.

 

Ora, o mesmo aconteceria se nós, portugueses de agora, nos víssemos transportados para a Lisboa quinhentista e encontrássemos Camões na rua. A sua pronúncia estaria cheia de características que hoje diríamos ser nortenhas, ou talvez agalegadas ou — caia então o Carmo e a Trindade — brasileiras!

 

Não estou a dizer que Camões falava como um brasileiro de agora. Estou apenas a dizer que a pronúncia seria tão diferente da nossa que teríamos dificuldade em localizá-la — e algumas das suas características (as vogais bem mais abertas, por exemplo) são hoje típicas do português do Brasil e não do nosso português de Portugal.

 

Para quem tem da língua a visão de qualquer coisa de imutável que alguns safados andam a mutilar, isto fará muita confusão. Mas, não: a língua muda mesmo muito ao longo dos séculos: as vogais mudam, as consoantes também, as palavras perdem e ganham sentidos de forma imprevisível, a sintaxe também tem as suas danças. (A ortografia, se formos a ver bem, até acaba por ser dos aspectos da língua que menos muda…)

 

Algumas das características do português-padrão que damos por adquiridas e que fazem parte integrante do «falar bem» de hoje em dia começaram como modas ou como maneiras de falar que os bem-falantes da época desprezavam activamente. Tudo isto tem muito de aleatório — e pouco de consciente.

 

Podemos analisar as mudanças e até combater algumas delas. Agora, o que não é verdade é que a língua exista imutável e pura, fora da boca dos seus falantes. E, sim, temos mesmo de admitir: a língua portuguesa, como qualquer outra, é um bicho difícil de apanhar e de compreender — mas, como um tigre, é um bicho perigoso, mas muito belo.

 

Sim, Camões falava um português diferente do nosso: e eu, por mim, gostava de poder ouvi-lo — não sendo possível, podemos tentar reconstruir a sua pronúncia através dum estudo aprofundado da sua escrita: olhando, por exemplo, para certas características ortográficas, para os erros que denunciam determinada forma de falar ou para as rimas, que mostram como o final das palavras soava na época (são algumas das técnicas dos linguistas históricos).

 

Enfim, é assim que sabemos que, provavelmente, Camões soaria, aos nossos ouvidos, um pouco a nortenho com travos de brasileiro. Tudo isso faz parte da nossa língua — tal como a estranha pronúncia de Shakespeare também faz parte do inglês.

 

Ora, longe de me horrorizar, pensar nisto põe-me um sorriso na boca…

 

(Para quem gosta destes assuntos da língua, deixem-me lá fazer um pouco de publicidade descarada: já conhecem o livro Doze Segredos da Língua Portuguesa?)

27
Abr16

Às voltas com um livro e com a língua portuguesa

Marco

Por estes dias, tenho tido menos tempo para blogues. Ah, os dias são sempre curtos, mas costumo arranjar tempo para umas escapadelas.

 

Ora, o problema é que, para escrever, é preciso tempo, mas também cabeça, e a minha cabeça, nesta última semana, tem andado mais virada para o papel, muito por causa do livro que escrevi sobre a nossa língua, que me tem feito dar umas quantas voltas.

 

Mas não pensem que não ando com ideias: tenho deixado muitos rascunhos na caixa do blogue. Quando a cabeça assentar, lá voltarei à rotina de vos deixar por aqui uns textos sobre línguas, livros e outras manias.

 

Deixem-me só contar-vos algumas das voltas do livro. Hoje de manhã, passei por uma experiência nova: fui à TVI falar sobre os segredos da língua. Na semana passada, andei pela Bertrand do Picoas Plaza, onde a editora organizou o lançamento, que me deixou muito feliz. Quanto aos agradecimentos, fi-los ao vivo — e tenho a sorte de os poder mostrar aqui, neste vídeo, que inclui a generosa apresentação de Fernando Venâncio. Agradeço agora a todos os leitores do blogue, que foram muitíssimo importantes neste projecto.

 

Não querendo abusar da vossa paciência, deixem-me só dizer-vos mais umas palavras sobre o livro (convém fazer alguma divulgação…):

 

  • Na primeira parte («A língua e a tribo»), descrevo a forma como a língua também serve para marcar a tribo a que pertencemos. Falo de sotaques (de Lisboa e do Porto, por exemplo), do mito da palavra «saudade» e até damos uma volta pela Ucrânia. Não deixo de contar uns segredos sobre os tempos de faculdade…
  • Na segunda parte,  («A família da língua»), falamos do parente no sótão (o galego), do irmão emigrado (o português do Brasil) e dos vizinhos: as outras línguas de Portugal (e também de Espanha, aqui ao lado). Falamos ainda do inglês e do chinês (e até do persa). Desconfio que será o primeiro livro sobre o português com uma citação do Beowulf
  • Há, depois, um intervalo, onde converso um pouco sobre as crianças e a língua portuguesa. É a parte mais pessoal de todo o livro, pois por lá andam a brincar o meu filho, os meus sobrinhos e o filho duma amiga minha. É um intervalo, afinal de contas.
  • Na terceira parte («O vício do pânico), podem encontrar textos sobre os famosos falsos erros de português («famosos» para quem costuma vir aqui ao blogue).
  • Na quarta parte («O que fazer com esta língua?»), fica o leitor com algumas pistas sobre como escrever um pouco melhor, que o livro não são só histórias, também diz alguma coisa de útil…

 

Há ainda segredos sobre palavrões, sobre linguistas, sobre a Internet — e mais umas quantas coisas.

 

dozeDiga-se que muitos textos incluídos no livro começaram aqui, neste blogue, e no blogue Certas Palavras. Todos foram revistos e alterados e há umas quantas novidades: só como exemplo, incluí um texto em que falo de erros verdadeiros — sim, porque existem mesmo erros de português, claro está… (O texto está na página 163: «E agora, algo completamente diferente: erros verdadeiros!»)

 

A língua é uma paixão que partilho com muitas outras pessoas. Espero ter criado um livro que sirva para aprender, mas também para passar umas boas horas de leitura, com alguns sorrisos.

 

Com este livro, quis celebrar a nossa língua, as línguas de todo o mundo e ainda as nossas vidas, as vidas dos falantes da língua, que — como muito bem diz Fernando Venâncio no prefácio — merecem sempre o nosso respeito. O livro é uma homenagem a esses mesmos falantes.

 

Espero que gostem — e espero que se divirtam, que também para isso escrevi o livro.

 


Doze Segredos da Língua Portuguesa. Edição da Guerra & Paz. Já nas livrarias. Encomendas: Guerra & PazWook |Bertrand | Fnac

23
Abr16

Hoje é o Dia do Livro

Marco

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Bem, se anda tudo assustado com o ano de 2016, que parece estar a ser mortífero para os artistas, o que dizer do dia 23 de Abril de 1616, que levou William Shakespeare e Miguel de Cervantes? Ou seja, no mesmo dia morreram os dois nomes mais importantes da literatura europeia (estarei a exagerar?).

 

Faz hoje 400 anos…

 

Ah, mas há uma reviravolta na história: Shakespeare, na realidade, morreu 10 dias depois de Cervantes (segundo o calendário actual, morreu a 3 de Maio de 1616). Mas a Inglaterra ainda não seguia o calendário gregoriano e, por isso, o dia em que Shakespeare morreu era o dia 23 de Abril no seu país, tal como o dia em que Cervantes morreu era o dia 23 de Abril aqui para estes lados da Península.

 

Shakespeare e Cervantes conseguiram morrer e não morrer no mesmo dia: os grandes escritores são piores do que os gatos quânticos.

 

Pois, anos depois, já no século XX, os livreiros catalães lembraram-se de fazer a ligação do dia 23 de Abril ao livro, começando aí a tradição de considerar o Dia de São Jorge também o Dia do Livro. A UNESCO, em 1995, pega na tradição catalã, repara na coincidência das datas da morte de Shakespeare e Cervantes e declara o dia de hoje como o Dia Internacional do Livro.

 

Pormenor interessante: segundo a tradição catalã, o Dia de São Jorge (Sant Jordi por aqueles lados) é dia de oferecer um livro e uma rosa a quem gostamos. Há tradições bem piores.

 

Feliz Dia do Livro!

20
Abr16

Já nas livrarias: Doze Segredos da Língua Portuguesa

Marco

Um livro essencial para quem se preocupa com o português e, ao mesmo tempo, não quer ficar preso a mitos e ideias-feitas sobre a nossa língua.

 

Encomendas: Guerra & Paz | WookBertrand | Fnac

 

«Marco Neves explica-nos, em linguagem muito directa, muito confrontadora, e por isso muito estimulante, como o idioma funciona, como os mitos à volta dele se desenvolveram, como há, nestas matérias, sempre uma surpresa onde julgávamos já tudo dito.» — Fernando Venâncio, no Prefácio.

 

«E a escrita… a escrita é um encanto, fluida, ágil, com aquele tom certo entre o pessoal e o formativo, com humor q.b. e uma ponta de indignação quando é necessário.» — Ana C. B., Gene de Traça.

 

 

dozeTítulo: Doze Segredos da Língua Portuguesa
Autor: Marco Neves
N.º de Páginas: 240
PVP: €15,50
Género: Não Ficção/Língua Portuguesa
Nas livrarias a 20 de Abril
Guerra e Paz Editores

 

Sinopse:
Um livro essencial para quem se preocupa com o português e, ao mesmo tempo, não quer ficar preso a mitos e ideias-feitas sobre a nossa língua.

 

Sabia que andam a circular por aí erros que não são erros?


Sabia que as crianças precisam de muitas pa­lavras para crescer bem?


Sabia que há uma relação entre o acordo orto­gráfico e a guerra na Ucrânia?


Sabia que a palavra «saudade» não é impossí­vel de traduzir?


Sabia que todos os portugueses têm sotaque?


Sabia que o português e o galego estão tão próximos que, às vezes, se confundem?


Sabia que os palavrões fazem bem (mas não convém abusar)?

 

Num estilo claro e bem-disposto, o autor desmonta mitos e revela segredos da língua, com algumas his­tórias curiosas à mistura — e sem esquecer uma ou outra dica para escrever cada vez melhor.

 

Sobre o autor:
Marco Neves. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, lei­tor, conversador e, agora, autor. Não são sete? Falta este: há três anos que é tam­bém pai, com o ofício de contar histó­rias. Para lá das profissões, os amigos sempre lhe reconheceram a pancada das línguas.

 

Nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem licenciatura em línguas (quem di­ria?) e mestrado na área da literatura. É director do escritório de Lisboa da em­presa de tradução Eurologos e docente de várias disciplinas de prática da tradu­ção na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

 

Escreve no blogue Certas Palavras sobre línguas, livros e outras manias.

 

Encomendas: Guerra & Paz | Wook | Almedina | Bertrand | Fnac

 

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